A Realidade das Startups: entenda se empreender é a sua

By 13/12/2017 August 13th, 2018 Não categorizado
A realidade das startups é bem diferente do que é vendido por reportagens e eventos sobre o ecossistema. Vende-se muitas vezes, glamourosa sobre empreendedorismo. Mas a verdade é que glamour, fama, dinheiro são coisas que na realidade raramente fazem parte da rotina das startups.

A realidade das startups é bem diferente do que é vendido por reportagens e eventos sobre o ecossistema. Vende-se muitas vezes, glamourosa sobre empreendedorismo. Mas a verdade é que glamour, fama, dinheiro são coisas que na realidade raramente fazem parte da rotina das startups, apesar dos nomes de cargos pomposos. E o início não é fácil nem mesmo para as gigantes da tecnologia, descubra aqui algumas  delas começaram.

Há sim muita ralação e é preciso muita vontade para fazer acontecer. E mesmo com muita vontade,  é um tipo de aventura que não é para qualquer um, é preciso estar preparado e ter perfil. E com certeza não é uma viagem ao Vale do Silício que irá te fazer um empreendedor, mesmo que seja bastante inspirador conhecer o ecossistema lá.

A Realidade das startups: os números do mercado

A associação brasileira de startups (Absartups) possui hoje mais de 4 mil empresas associadas e quase 40 mil empreendedores cadastrados. Esse expressivo número faz do Brasil um dos países mais empreendedores do mundo – em número de startups – à frente dos vizinhos da América do Sul e também dos países que compõem o BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul, além do próprio Brasil), com exceção da Índia.

Tão expressivo quanto esses números é sabermos que, como apontam as estatísticas do IBGE, apenas 40% dessas empresas inovadoras irão sobreviver nos 5 anos seguintes à sua formação. E essa é a primeira realidade que você precisa encarar

A Realidade das startups: cuidado!

Não é para desencorajá-lo, mas alertá-lo. O mercado de startups é instável, ágil e altamente competitivo. Você precisa estar preparado para se adaptar a todo instante e evoluir com os próprios erros.

Cuidado para não entrar em ondas e tentar encaixar sua ideia em modismos. Não é porque um modelo funciona para um mercado que irá funcionar para outro. Parece que quase todas ideias são o “uber do não sei o que ou o Airbnb do não sei o que lá…”.

Outro dos bombardeios são também as assinaturas. E também parece que tudo é motivo para criar um app, mas a verdade é que as pessoas não tem espaço suficiente no celular para tanto aplicativo, e há grande chances de grande parte deles serem inutilizados, entenda aqui porquê. Isso não significa que esses modelos não sejam bons, mas fique atento para que seja coerente com o seu mercado de atuação

E esteja preparado, caso uma nova onda ou tecnologia/solução venha e literalmente mate sua empresa, do dia para a noite. Por isso, esteja consciente que empreender é correr riscos e desafiar-se constantemente.

A Realidade das startups: o caso Easy Taxi

O Easy Taxi foi primeiro aplicativo de transportes urbanos da América Latina, fundado em 2011, chegou a 35 países e captou cerca de US$ 77 milhões em cinco rodadas.

Em 2013, outros 20 aplicativos de transportes que atuavam de forma semelhante já estavam em circulação no Brasil. E a concorrência com o Uber limitou o crescimento da empresa, até então em uma trajetória de robusto crescimento.

Desde então, o Easytaxi buscou diversificar as suas atividades, atuando com automóveis particulares e até vans de transporte, mas o estrago já estava feito e parte considerável do seu público-alvo se engajou com outros aplicativos de serviços de transporte. O Easy foi incorporado na Cabify, e verdade que hoje mal ouvimos falar do app.

Mas isso não significa um fracasso, e sim uma mudança de mercado que (quase) não se podia lutar contra. A entrada do Uber foi muito agressiva, era praticamente impossível lutar contra eles, com a baixa credibilidade e altos custos do serviço de taxi no Brasil.

Depois de vender a Easy e ter se gabaritado como CEO, Tallis foi resiliente e partiu para um próximo desafio: a fundação da Singu, uma espécie de “Uber do salão de beleza”.

A Realidade das startups: outros casos 

A Estante virtual, portal brasileiro de comércio eletrônico de livros novos e usados, vivia um oceano azul até a Amazon anunciar sua vinda para o mercado brasileiro. Inicialmente, a Amazon atuava apenas com livros novos, mas recentemente a gigante norte americana inaugurou o seu market place de livros usados. O oceano azul logo se tornou em um oceano vermelho, quase inavegável, para a Estante Virtual e outros players que se defrontem com a atuação da predadora Amazon.

Nem precisamos citar como o Snapchat, que teve seu declínio com o avanço do Stories. Com a compra do Instagram pelo Facebook, a integração das duas redes sociais e o desenvolvimento do “Stories” na plataforma, o Snapchat foi superado, perdendo mercado e milhões de dólares.

Muitos apps podem vir a serem completamente engolidos se algum player gigante do mercado como Google ou Facebook, começarem a incorporar diversas funções dentro das Redes Sociais.

Então cruze os dedos para que ao invés de esmagados, seja comprado por eles, ou passe por uma fusão.

Os casos expostos demonstram a dificuldade de sobreviver em um ambiente extremamente competitivo. Além disso, é notável que, mesmo em casos em que a startup se destaca e obtém sucesso, a possibilidade de ser engolida por um concorrente mais poderoso ou mesmo ver o seu público-alvo se engajar com um concorrente direto ainda é significativa, colocando em risco toda uma operação bem sucedida a princípio.

A dificuldade vivenciada pelos empreendedores em fazerem prosperar as suas empresas decorre, além da competição com outros players do mercado, da escassez de recursos financeiros, da falta de capacidade de gestão e administração de empresas, do baixo poder de adaptação ao mercado e de problemas relacionados às pessoas que compõem a empresa.

Dados tantos obstáculos para o sucesso de uma startup, quais características um empreendedor ou profissional de startup deve ter para ser capaz de entrar nesse ambiente extremamente competitivo e se sair vitorioso?

Perfil do startupeiro

Em primeiro lugar, você deve encarar a verdade: empreender não é para qualquer um. E isso não é ruim, é apenas um perfil.

Se você quer empreender “apenas” para ganhar dinheiro, esqueça. Não que não haja a possibilidade de ganhar dinheiro, mas há também um enorme risco. Obviamente, a grande maioria das pessoas empreende esperando o retorno financeiro. Mas a chance de o dinheiro jorrar em um primeiro empreendimento e em curto período de tempo é pequena.

Muitos empreendedores de sucesso estão colhendo os frutos não do seu primeiro, mas talvez do seu terceiro ou quarto empreendimento. As dificuldades financeiras que a grande maioria das startups sofrem nos anos iniciais do negócio levam muitos empreendedores ao desespero, o que usualmente os fazem fecharem as empresas.

A quantidade de trabalho e responsabilidade também é imensamente maior em um empreendimento. A dedicação ao negócio não te dará descanso. O livro “A loja de tudo”, que conta a história da construção da Amazon pelo seu fundador Jeff Bezos, pode te dar a medida dessa dedicação. O livro conta que Bezos tinha um saco de dormir no seu escritório, onde passava muitas noites trabalhando.

Tenha estômago!

O mercado de startups é mais tortuoso que uma montanha russa, com quedas e descidas logo à frente de inebriantes subidas. A instabilidade desse mercado, a escassez de recursos e a sempre presente possibilidade de se deparar com concorrentes muito mais poderosos, torna a viagem de se empreender em algo que exige nervos de aço.

Seja um Hustler!

Tenha consciência dos sacrifícios a que você estará se submetendo ao entrar nesse mundo. Dos riscos do seu negócio. Da possibilidade de ver tudo ir por água abaixo de um momento para outro. Tenha consciência disso tudo e siga em frente se você confiar que o árduo caminho de empreender vai te conduzir para o seu objetivo. Entenda aqui qual é o perfil de startups que o Darwin procura e porque participar do nosso programa de aceleração, que abre inscrições em breve #SPOILER. 

Texto em colaboração com Julio Pontes, da Doare

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