A importância da Cultura Organizacional para startups

By 13/04/2017 November 6th, 2017 Crescimento

Quando falamos de cultura organizacional, estamos passando pelos fenômenos invisíveis das interações humanas. Fenômenos que atuam diretamente em questões como produtividade, motivação, senso de pertencimento, retenção de talentos, criatividade, dentre outros. A experiência no dia a dia da aceleração tem nos demonstrado que a questão cultural deve ser uma preocupação tão importante quanto todas as outras que povoam o cotidiano de uma startup.

No Darwin Starter nós levamos este conceito muito a sério. Constatamos com o tempo que empresas que pensam e trabalham sua cultura, através de seus valores e práticas, tendem a serem mais unidas, mais resilientes, mais fortes e atuantes. Tudo isso porque a cultura além de ratificar e dar nome ao propósito de cada um, também fortalece o senso de comunidade.

(Sobre a comunidade, um parênteses é válido aqui. Estudando a respeito da teoria evolutiva de Charles Darwin, um ponto se destaca:, segundo ele, organismos que se adaptaram são também aqueles no qual a união da comunidade prevaleceu. A experiência empírica tem nos mostrado que equipes e empresas que sustentaram a união dos grupos, sem dúvida, deram saltos quantitativos em suas trajetórias pois possuíam uma rede de apoio, pensamento e criação).

Preliminares sobre a cultura de uma startup

Pensar a cultura não significa pensar somente em ações pontuais dentro do ambiente de trabalho que supostamente gerem motivação, nem pensar os objetos que teremos à disposição no ambiente para torná-lo agradável (lê-se puff, videogame, escorregador e afins). Se trata de algo que vai além, diz respeito ao conjunto de processos, práticas e pensamentos em uma comunidade.

No caso em questão, a sua empresa. Isso, sem dúvida, é algo difícil de operar, mas não impossível. Que fique claro, o fenômeno cultural acontecerá independente do movimento dos líderes da empresa. Desta forma, um líder pode escolher ser agente ativo na construção da cultura ou deixar que ela se estabeleça ao sabor dos dias. O cotidiano e a convivência, os entendimentos sobre os acontecimentos diários, tudo isto se tornará cultura. Assim, uma empresa que deseja transformar a sua cultura, terá de escolher e abraçar o desafio.

Porque a cultura organizacional é tão importante?

Sendo objetivo: porque ela afeta diretamente a felicidade do seu colaborador. Porque é através do entendimento da sua cultura, a empresa passará ao mundo seu propósito. Porque ela será a ponte para atrair talentos com fit para sua empresa.

Em suma, porque a cultura dá sentido ao que está sendo feito na empresa e nos faz caminhar. Acima de tudo, é através da cultura que as lideranças surgirão, se transformarão e assim, trabalharão no sentido de passar adiante o legado da empresa, desenvolvendo-a e fazendo-a crescer.

Como alcançar a cultura?

Acredito que um bom início se dê pela troca de ideias. Pela escuta e diálogo, ou trocando em miúdos, pela etnografia (técnica usada na antropologia para coleta de dados a respeito de um grupo ou comunidade). O que isso significa isso? Significa colocar-se no lugar da pessoa de forma que você consiga enxergar o mundo pelos olhos dela.

Escute quem vive o cotidiano da empresa. Questione aos poucos o que cada um observa na empresa, como cada uma se sente em relação a empresa e ao seu serviço. Promova o diálogo entre todas essas pessoas, busque o debate a reflexão. Questione-se: Que tipo de ambiente queremos criar? Que tipo de ambiente queremos trabalhar? Que tipo de mensagem queremos passar ao público?  Procure as respostas do fenômeno invisível que a todos toca.

Após obter estas respostas é interessante começar a pensar em seus processos e práticas internos. Isto significa pensar ferramentas que traduzam o entendimento que vocês possuem agora da empresa. Se usarão ferramenta x ou y para aumento de produtividade. Se serão orientados pelo resultado, pelos indicadores financeiros, pelos feedbacks do cliente. Se sentem a necessidade de congregar toda semana ou a cada quinze dias. Se farão uma política de meritocracia e reconhecimento público. Se criarão rankings que inspirem a competitividade sadia. Serão estas as pontes necessárias para o estabelecimento da cultura ensejada.

As práticas e processos de uma empresa falam muito da empresa, revelam-na em sua essência, passam uma mensagem adiante e por consequência, desenvolvem o senso de comunidade entre os colaboradores. Outra dica interessante é escrever um culture code (código de cultura) engajando todos os seus colaboradores. Se quiser exemplos de desenvolvimento destas práticas, recomendo o Culture Code das seguintes startups: LinkedIn, Netflix e Spotify. Você pode ainda pesquisar sobre a cultura de empresas catarinenses como a Involves e Conta Azul. E não podemos esquecer da famosíssima cultura da Resultados Digitais.

Vou além. Não pare na leitura. Vá lá, conheça e respire o ambiente. Fale com os envolvidos e faça uma etnografia interessante. Outra recomendação válida aqui são os materiais produzidos pela Harvard Business Review e pela Endeavor.

É claro que são muitos os caminhos para o acesso à cultura. No entanto, acredito que estes são os princípios da questão, foco nas pessoas que formam a comunidade. Ratifico novamente: tudo passará invariavelmente pelo diálogo, pela troca ativa e pela escuta atenta das pessoas que formam uma empresa.

Lembre-se, empresas são pessoas. São elas que fazem a empresa respirar e crescer. Ignorar a questão da cultura é também ignorar estas pessoas e abrir mão da responsabilidade pelo futuro. No final das contas, a maior disrupção que sua empresa pode propor para seus colaboradores é se importar com eles.

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