Fintechs: por que elas vão dominar o ​mercado​?

By 24/08/2017 August 13th, 2018 Mercado
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Na semana passada a equipe do Darwin Starter participou da FinTouch, uma conferência de fintechs,  junto aos nossos parceiros, mostrando os resultados do nosso trabalho, ao lado das nossas aceleradas, outras startups e bancos tradicionais.

Foi nítida a sensação de “o que se esperava que acontecesse, já é uma realidade” no mercado de fintechs, que já recebeu mais de R$1 bilhão em investimentos. E com certeza essa realidade não tem volta: os serviços financeiros estão passando por uma verdadeira reviravolta liderada por startups focadas em tecnologia.

No entanto, a indústria financeira é uma das grandes indústrias que ainda não sofreram profunda disrupção, um radar para oportunidades, dizendo: o momento é agora.

Outros mercados, como de mídia e publicidade, rede hoteleiras e também o transporte, já vivem as consequências por terem resistido às mudanças que a tecnologia trouxe. Vide Facebook, Airbnb e Uber, respectivamente. Os modelos tradicionais estão sendo deixados para trás.

Com a tendência de “uberização” dos modelos de negócio e entrega de serviços, nosso conselho para os bancos e instituições financeiras, usando desta mesma metáfora, é não criar um embate “taxi x uber” em relação às fintechs. 

Afinal, contrariando projeções, fintechs não são mais vistas como uma ameaça ao sistema bancário tradicional, e sim uma oportunidade de cooperação, simplesmente por um ter o que o outro precisa. 

Os bancos tradicionais têm a base de clientes que as startups sonham, acesso ao mercado, experiência e know how.  Além de conhecimento sobre as regulamentações e recursos financeiros, é claro.

Por outro lado, as iniciantes têm tecnologia, agilidade e novas ideias que os bancos precisam para permanecer relevantes.

E caso alguma startup se posicione com um discurso de enfrentamento, não demora muito para perceber que ela precisará dessas instituições, inclusive por questões de regulamentação.

Essa é pelos menos a percepção que temos aqui no Darwin e que vivemos na prática acelerando fintechs  junto aos principais atores do mercado financeiro. A troca entre os jovens empreendedores e as grandes corporações é inclusive um dos diferenciais do nosso programa.

Um exemplo disto foi a Vality, que completementa as consultas de crédito, pela reputação do usuário baseado no seu comportamento em redes sociais.

Diferente de outros mercados, bancos e fintechs estão desenvolvendo uma espécie de simbiose, segundo a Exame. Para as instituições tradicionais, se aproximar das novas cabeças é uma grande oportunidade de inovar e se reinventar nessa nova realidade. Leia aqui as tendências para o futuro no mercado de fintechs. 

Visto as diversas iniciativas como Cubo (espaço de coworking e startups do Itaú), Inovabra (programa de inovação aberta do Bradesco), Radar Santander (programa de aceleração em parceria com a Endeavor), entre outros.

O primeiro radar da FintechLab identificou 170 ações em agosto de 2015. Já no report deste ano a organização contabilizou 244 iniciativas em todo o país, distribuídas em: pagamentos (32%), gestão financeira (18%), empréstimos (13%), investimentos (8%), funding (7%), seguros (6%), negociação de dívidas (5%), cryptocurrencies e DLTs (5%), câmbio (4%) e multiserviços (2%).

Outra boa notícia para o ecossistema: uma estimativa feita pelo banco norte americano Goldman Sachs espera que 20% deste mercado trilionário pode ser abocanhado pelas fintechs no futuro.

Se essa curva continuar na mesma crescente com certeza essa previsão será realidade em breve.  

Quais as razões para fintechs crescerem tão rápido?  

 

1) Eficiência e preço

Sem as estruturas grandiosas dos bancos, que geram burocracia, dificuldade de comunicação interna e lentidão, as fintechs conseguem oferecer um serviço mais eficiente à baixos custos, usando a tecnologia como aliada. Mais enxutas elas conseguem competir em preço.

É o caso da Pague Veloz, uma das nossas startups –  da segunda turma de aceleração – que oferecem facilidade e agilidade em serviços como emissão de boleto e recebimento por cartão de crédito (sem mensalidade e taxa de adesão),  possibilidade de integração com sistema de gestão do cliente, e ainda consultas ao serasa e de cheques em poucos cliques, tudo em uma só ferramenta.

2) Experiência do cliente e o caso Nubank

Não precisa muito para perceber que os sites dos bancos mais parecem uma replicação do sistema físico e caótico que alguns deles têm. Há não muito tempo atrás, principalmente por causa da baixa concorrência, os bancos não eram forçados a inovar. Hoje, os mesmos sofrem para mudar essa lógica devido aos resquícios do passado e seu alto custo.

Já os números para experiências digitais são otimistas: em 2016 mais de 2 milhões de contas bancárias foram abertas 100% por dispositivos móveis. De outubro aos primeiros meses de 2017, houve uma média diária de 10 mil contas abertas por smartphones.

Sinal de amadurecimento do público para realizar transações financeiras via mobile.

O Nubank, por exemplo, o maior expoente dentre as fintechs brasileiras, proporciona uma experiência totalmente digital para serviço de atendimento e fatura do cartão de crédito, com interface amigável,  informações claras e baixos custos (sem cobrança de anuidade e taxas de juros abaixo do mercado).

Eles não revelam o número de usuários, mas garantem que o sucesso com uma entrega superior foi maior que as expectativas, segundo o vice-presidente do Nubank, em entrevista para Exame.

3) Impacto social: inclusão dos desbancarizados

Em um país como o Brasil, onde ainda 39,5% da população acima de 18 anos está desbancarizada, equivalente a 55 milhões de pessoas sem acesso a conta bancária, segundo o IBGE, muitas fintechs têm surgido com o objetivo de oferecer serviços para essa fatia do mercado.

Essa população, normalmente de baixa renda, enfrenta enormes filas em lotéricas para efetuar pagamentos e perde dinheiro por conta da inflação. Sempre foram alvo dos bancos, mas sem muito sucesso. Uma das explicações pode ser o quanto sentem-se intimidados pelas grandes instituições ou desmotivados pelas taxas, nada acessíveis no Brasil.

Além disso, esse parte da população que vive também a inclusão digital diretamente no mobile. E as classes C, D e E  juntas já representam 38% do acesso à internet por smartphones no país.

Diante desse cenário, surgiram iniciativas como o Celcoin, onde o usuário transforma  seu celular em uma conta digital sem custo, para pagar contas de consumo, fazer recargas, depósitos, saques, e ainda, transferências e pagamentos para qualquer outro celular, inclusive para quem ainda não tem o app.

Banco Neon, 100% digital, sem agência física, sem anuidade e taxa de manutenção, optaram por não fazer análise de crédito e oferecer uma conta para movimentação, democratizando o acesso pela tecnologia.

Ambas iniciativas confirmam a demanda dos desbancarizados e também percebendo necessidades de outros segmentos, especialmente jovens, que pedem por mais conveniência e menor custo. Conheça também o caso do WeChat, app chinês que conseguiu suprir a demanda desses dois públicos e dominar o mercado de pagamentos no país. 

E também a importância do foco no usuário, que as estruturas enxutas são totalmente capazes de fazer. Para aqueles bancos e instituições tradicionais que estão aptos à nova mentalidade de colocar os clientes em primeiro lugar, ótimo! Para todos os outros, é hora de se associar estrategicamente, para ontem.

 

 

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