As principais opções de investimento para startups

By 26/01/2017 November 6th, 2017 Investimento

Seja para tirar uma ideia do papel, acelerar crescimento ou desenvolver novos produtos, conseguir investimento nunca foi tarefa simples. A falta de capital é uma das principais causas de mortalidade de startups no Brasil, mas ela ainda está atrás de: mercado pequeno (ou inexistente), modelo de negócios falho e gestão ineficiente (má execução).

A boa notícia é que, além de não ser a principal causa de mortalidade, hoje em dia existem diversas opções para se conseguir capital no Brasil. Neste post, convido você a conhecer quais as principais opções para uma startup conseguir investimento e o tamanho do cheque investido por cada opção. Vamos lá?

Disclaimer:

  1. Captar investimento não é uma ciência exata. Apesar de haver boas práticas e faixas de investimento médio no mercado, todas as opções listadas neste post têm exceções;
  2. Investidores buscam retorno sobre investimento (ROI). Tenha isso em mente.

Família e amigos

Em fase inicial, a opção mais acessível se encontra nas pessoas que convivemos. Familiares, amigos e pessoas mais próximas são mais suscetíveis a suportar novos projetos de alguém conhecido. Seja na fase de ideia ou na construção do seu MVP (Mínimo Produto Viável), esta categoria pode ser o ponto de partida para garantir a sobrevivência de um novo negócio enquanto a empresa não gera receita.

É bom ressaltar que, independente do formato do investimento (empréstimo ou participação na empresa), este tipo de captação pode gerar impacto negativo no relacionamento entre as partes. Caso haja alguma frustração quanto à expectativa de retorno sob investimento ou até mesmo a falência do negócio, o relacionamento pode sair por água abaixo.

Para evitar esta situação, aconselhamos que haja uma exposição clara dos riscos envolvidos e das chances de retorno. Também é desejado que o empréstimo seja feito apenas com pessoas que podem permitir-se a perda ou tenham maturidade para lidar com tal.

Investidor anjo

Investimento anjo é quando um ou mais indivíduos investem diretamente em uma empresa através de sua pessoa física. Estes indivíduos são, na grande maioria, empresários e executivos bem-sucedidos e com recursos para investir em novos negócios.

Normalmente o investimento é feito por um grupo de dois a cinco investidores, sendo um ou dois destes os investidores-líderes que agilizam o processo de aplicação do capital. Mas, antes de captar investimentos, leia este post e entenda melhor os termos e tipos de contratos que podem ser aplicados para investidores, para não cair numa cilada. 

Diferente da opção anterior, que pode ser feita em forma de empréstimo, neste tipo de investimento existe a troca de participação da startup (normalmente entre 5 e 15%). O valor investido não segue um padrão, podendo variar entre 50 mil e 1 milhão de reais. Entretanto, a média gira em torno de 200 a 500 mil reais.

No Brasil temos a organização Anjos do Brasil, que reúne investidores anjo e fomenta este tipo de investimento. Eles compartilharam quais os requisitos para receber investimento anjo em sua página.

Aceleradoras

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Semelhante ao investimento anjo, as aceleradoras contam com o que é chamado de programa de aceleração. Nele, além do investimento, a startup conta com metodologia feita para ajudá-la a se desenvolver durante o período de aceleração. Há grande variedade de formatos de aceleração, porém o mais comum é investimento em troca de equity (participação da empresa), normalmente na faixa entre 100 e 200 mil reais. Se ainda tem dúvidas sobre os termos usados em contratos de aceleração, leia este post. 

Para participar, a startup necessita passar por um processo de seleção em que são avaliados critérios como equipe, mercado e produto. Também é importante saber que cada programa de aceleração tem sua própria duração, (geralmente variando entre 3 e 6 meses) e, apesar do mesmo ter um término, a sociedade permanece.

No Darwin Starter, investimos R$170 mil em troca de 12% de participação no negócio. Além da quantia, a startup também conta com espaço para trabalho (coworking), mentorias, capacitações e ferramentas, que, somadas, adicionam mais de R$500 mil em produtos disponíveis. Também possuímos quatro parceiros corporativos, Cetip, CNSeg Par, Neoway e RTM, que auxiliam com seu know-how e acesso ao mercado nas áreas de Fintech, Seguros, Big Data e Telecom respectivamente.

Aceleradoras são frequentemente confundidas com incubadora, por isso escrevemos o post: aceleradora ou incubadora: qual é melhor para sua startup.

Programas de Incentivo à inovação

Outra opção são os programas de fomento à inovação. Esses recursos geralmente são oferecidos por organizações governamentais ou fundações, como Fapesc, Finep, Senai e outras agências.

Há editais com recursos a fundo perdido (não-reembolsáveis) ou com linhas de crédito a juros abaixo do praticado pelo mercado (até mesmo nulos). Em Santa Catarina temos o Sinapse da Inovação, realizado pela Fundação CERTI, que oferece R$60 mil reais não-reembolsáveis e sem troca de participação na startup.

Este tipo de recurso normalmente tem designação específica para uma determinada área ou categoria de empresas. Antes de se inscrever, vale observar o edital de convocação da organização para verificar se existe compatibilidade com o seu negócio.

Fundos de Investimento (Venture Capital)

Os fundos de investimento, ou VCs (Venture Capital), são uma ótima opção para startups em estágio mais avançado que pretendem captar investimento superior a 500 mil reais. Na grande maioria, essas startups estão em momento de tração, quando já se tem o chamado product market fit e depende-se de recurso para acelerar seu crescimento.

No Brasil, a faixa normalmente investida pelos VCs está entre 2 e 10 milhões de reais, entretanto esse valor pode chegar na casa de dezenas de milhões para fundos maiores.

É importante observar que cada fundo de investimento tem o que é chamado de tese de investimento, que especifica em quais tipos de negócio eles pretendem investir. A tese geralmente inclui questões do tipo: setor de atuação, faturamento anual, região, entre outros. Caso sua startup atue na área de saúde, por exemplo, vale gastar seu tempo com fundos que têm na sua tese o investimento em negócios dessa área.

A Cventures é parceira do Darwin Starter e referência brasileira nessa faixa de investimento.

Neste link, você encontra o mapa dos principais VCs do mercado brasileiro.

Private Equity

Quando se fala em fundos de Private Equity, o tamanho do cheque é superior ao dos fundos de investimento. Neste caso, os investimentos costumam ser em empresas que estão prestes a abrir seu capital na bolsa, geralmente com faturamento na casa de centenas de milhões anuais.

No Brasil existem diferentes definições para essa categoria de investidor. Há quem defenda que Private Equities tenham sobreposição com a faixa de investimento dos VCs, fazendo investimentos na casa das dezenas de milhares de reais. Em mercados mais maduros, os valores normalmente investidos ficam acima de nove dígitos (mais de 100 milhões).

IPO

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Oferta Pública Inicial, ou IPO, é o sonho de muitos, mas realidade de poucos. Esse é o estágio no qual a empresa abre seu capital na bolsa de valores. Nessa fase, a empresa tem tamanho e ambição suficientes para levantar grande quantia de capital (na casa dos milhões ou bilhões). É a partir desse momento também que qualquer pessoa pode comprar ações da empresa.

Aqui também existe a sobreposição de faixa de investimento, mas com fundos de Private Equity. No Brasil são poucos os casos em que empresas de tecnologia abriram seu capital. A Bematech é um case que passou por grande parte dos investidores citados neste post e fez seu IPO em 2007 para financiar sua expansão.

Considerações finais

É importante mencionar que, apesar da quantidade de opções descritas acima, cada negócio tem sua demanda e motivos para justificar necessidade de investimento. Existem aqueles que preferem seguir com suas próprias pernas e se “auto-financiar”, com o que chamamos de bootstrap.

Na hora de levantar capital, a dica é se colocar no lugar do investidor para avaliar se sua startup tem potencial – e condições – para receber investimento. Como dissemos no início desse post, investidores procuram retorno sobre o que investem. Para atrair atenção dos mesmos, evidências de sucesso como crescimento de faturamento, redução de churn e LTV (lifetime value) maior que CAC (customer acquisition cost), aumentam as chances de conseguir capital.

Para finalizar, antes de receber qualquer investimento, consulte sempre um bom advogado, e leia este post instrutivo que escrevemos para você se preparar. Não assine nada sem antes entender as regras do jogo, de preferência, linha por linha. Conversar com empreendedores mais experientes também é uma boa opção para conseguir dicas e aprender com os erros e acertos de quem já passou por isso.

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