Vantagens e desafios do mercado de fintechs

By 18/10/2016 November 23rd, 2017 Fundadores

Por Piero Contezini, CEO e cofundador da fintech Asaas

Fintech é a bola da vez, ousamos dizer que estão dominando o mercado (entenda aqui as razões).  Termo pouco conhecido até 2015, as fintechs são empresas, ou startups, focadas em prover serviços que, antes, eram exclusivamente vendidos pelo mercado financeiro, como bancos, corretoras e instituições financeiras em geral. Com grande capacidade de inovação e um foco total na experiência de usuário, essas empresas estão mexendo com o mercado financeiro.

Aos poucos, as fintechs estão a ponto de mudar por completo as estratégias dos bancos, onde o faturamento imediato começa a ser trocado por fidelização e melhoria no atendimento ao usuário. Conheça aqui as tendências para o futuro das Fintechs, que vão mudar por completo o mercado financeiro.

Meu envolvimento com fintech vem bem antes do termo existir. Tive a oportunidade de ajudar a fundar uma das primeiras empresas do ramo no país, a ContaAzul. E foi nessa empresa que constatamos um grande problema: a cobrança dos nossos próprios clientes. Com isso em mãos, começamos a construir o que, um dia, deu origem a startup que hoje sou CEO e fundador, o ASAAS. Só para se ter uma idéia do quão focado em empresas de software o negócio era, o nome ASAAS veio especificamente de Automated Software As a Service. Alguns anos depois e um pivot no meio do caminho, nosso modelo de negócio evoluiu para atender empreendedores individuais e suas necessidades, que não são foco deste post e deixo para contar outro dia.

Voltando para o segmento de fintech, no Brasil existem cerca de 200 empresas focadas no segmento. Inclusive, contamos com um radar do FintechLab mapeando todas as empresas e seus nichos. No mundo, em poucos meses, mais de R$ 450 milhões foram investidos em empresas do segmento, um valor que vem crescendo ano a ano e que, segundo a tendência mundial, não deve diminuir. No entanto, é importante destacar uma série de vantagens e desvantagens ao criar uma startup no mercado de fintech. Elenco, neste post, quatro vantagens e desvantagens que devem ser consideradas, com muito cuidado, para que a sua decisão seja tomada com consciência:

As vantagens do setor de Fintech

  1. Visibilidade

Sem dúvida, o mercado está ansioso para saber das novidades a respeito do mercado de fintechs. Cada inovação criada para solucionar um problema que o sistema financeiro tradicional não resolve bem, tem grandes chances de ser não só notada, mas noticiada no mercado e nos grandes meios de comunicação.

  1. Alto potencial de receita e escala

Com o cenário nacional (e talvez mundial) de altas margens dos bancos e empresas tradicionais, existe um grande potencial de gerar receita de forma rápida e ganhar escala com soluções que custem menos que os serviços tradicionais. Soluções essas que, por meio do uso de tecnologia e automação de processos, dão resultado extremamente positivo.

  1. Potencial de saída para bancos e empresas estabelecidas

Ao longo dos próximos anos, bancos e empresas já estabelecidas vão perceber que criar estratégias de cópia nem de longe irá gerar a tração necessária para retirar do mercado as startups realmente focadas. Nesse sentido, a ação padrão deles será adquirir líderes de cada segmento vertical de fintech. Por isso, tomei a liberdade de batizar essas fintechs de bancos verticais, já que irão, de fato, se comportar como tal.

  1. Impacto Social

Outra vantagem é a possibilidade de construir uma empresa de fintech rentável e com impacto social. Devido à carência da desbancarização em classes menos abastadas da sociedade, os produtos que atendam a população de baixa renda deverão ter grande espaço no mercado e serão reconhecidos por seus fins sociais e até, quem sabe, de filantropia.

Mas nem tudo é como parece. Alguns riscos devem ser analisados atentamente pelo empreendedor antes de ele entrar de cabeça nesse mercado de fintech:

Os desafios do mercado Fintech

  1. Lidar com dinheiro é arriscado.

Quanto mais dinheiro você movimenta, recebe ou fatura, mais riscos vai ter. Na Internet, nada é completamente seguro. Quadrilhas especializadas em roubos digitais, sem dúvida, serão atraídas pelo seu sucesso. Por isso, tenha um time técnico altamente capacitado em segurança da informação e de análise de risco para lidar com a fraude. Além disso, crie uma relação bem clara com os órgãos de prevenção à lavagem de dinheiro e fraude (COAF) e se antecipe aos riscos eminentes da sua operação.

  1. Baixo nível de defesa contra cópias:

Seu sucesso, nesse caso, é seu maior inimigo. Quanto mais mercado você tiver, mais startups e empresas estabelecidas tentarão copiá-lo. O caso mais clássico é o Nubank, que gerou como reação do Bradesco a criação do Digio. Sabemos que eles nunca terão a real capacidade de inovar como os disruptores originais, mas, com certeza, irão tentar bloquear o seu ganho de mercado. A melhor forma para lidar com isso é ter uma visão clara de onde você quer chegar e executar o plano, ajustando essa visão de acordo com os desafios que o mercado irá colocar.

  1. Inovações disruptivas podem acabar com o seu negócio:

Dado o ambiente propício a inovações completamente disruptivas, tecnologias como blockchain e consensus ledgers podem acabar completamente com a sua inovação. Para quem ainda não conhece esse termo, o princípio do blockchain é ser uma tecnologia que registra permanentemente transações de forma distribuída, sem a necessidade de entidades centralizadoras que garantam a confiabilidade da informação sendo registrada, como um cartório sem o papel do notário. Duvido que empresas de transferência de valores entre contas e países, por exemplo, sobrevivam à adoção em massa do blockchain.

  1. Legislação e responsabilidade civil:

Deixo por último o ponto mais importante: a legislação. Antes de criar algo que possa infringir alguma lei ou gerar processos civis – como emprestar dinheiro sem ser uma instituição financeira -, contrate um escritório de advocacia com experiência na área e peça um trabalho consultivo de análise do seu negócio em relação às normas vigentes. Isso poderá salvar anos de investimento em vão e talvez até alguns dias na polícia. Existem alguns casos de fintech no Brasil que renderam processos civis bem pesados para os fundadores e, por isso, todo cuidado é pouco quando se fala de lidar com o dinheiro dos outros.

Por fim, se investir em fintech é o que você quer, foque muito na execução. A idéia inicial, com certeza, mudará ao longo da trajetória da empresa e a capacidade de adaptação ao mercado é o fator chave de sucesso para uma fintech. E se você precisar de uma opinião informal ou até algum feedback, escreva sempre a postos para ajudar jovens empreendedores na suas missões.

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